Chuva Interior
Chove por dentro...
Enquanto o sol conflagra minha pele.
São águas poluídas pela prática vivida.
Enquanto o sol deslumbra meu observar.
Chove por dentro...
E o sol inflama a pele já surrada.
Granizos aguçados por orgulhosos vocábulos estúpidos.
Enquanto o sol reprimi o ar já escasso.
Chove por dentro...
Enquanto o sol provoca erosões no repouso da minha áurea.
Gotas delineadas por sombras caricatas da tua perfídia.
Enquanto o sol evapora meu afeto já no limite da praia.
Chove por dentro...
Enquanto o sol assola o sustento do amor.
Nuvens negras dentro da casca corpórea já é carbono das minhas palavras
Enquanto o sol finda no horizonte embaçado por lagrimas.
Chove por dentro...
Porque já não há mais sol na existência do fogo sangüíneo....
O amor morreu assassinado pela glacial e temida ausência...
Do toque das mãos, da seda da pele macia.
E quando a chuva interior parar...
Rios de sangue irão golfar pelos pulsos da natureza....
O grande terremoto do meu coração cessará pelo governo da pouca existência.
Cansei da dedicação... quero mais chuva.
( Wamp )
Sombria
Na névoa do anoitecer
A presença da noite se aproxima...
Em sombras de vento
Em risadas ecoando entre os vultos que passam
A morte espalha o seu cheiro no ar,
E gritos;
Gritos invadem as minhas veias...
Eu, um ser frio que vive do sangue para o sangue,
Que vive da dor para a dor...
Um monstro sou;
Um monstro que chora a perda da vida
E vive do inevitável,
Por não ser a dor que causo
Nem o prazer que crio.
Na escuridão permaneço
Vivendo nesse escuro medo
Todos estão a me observar
O amor que sinto me protege por nada me amar
O medo se transforma em ódio
Para que eu descubra o que tenho que buscar...
Que mais posso esperar de tudo isso?
Das lágrimas busco o sorriso...
Do peso em meu coração busco a paz
O simples beijo que dou,
Desperta meu imortal desejo do fatal beijo dar
E nesse fim de mais uma vida
O que terei eu de amar?
( Wamp )